Redes sociais X Contatos pessoais

Revista VocêRH - Ed. Abril - Por Raquel Kuhn

Headhunter significa caçador de cabeças. Ou seja, é aquela pessoa destinada a atuar na busca dos melhores profissionais nos concorrentes de seus clientes ou em mercados relacionados. Para o desempenho da função, é preciso possuir muita experiência própria, capacidade de negociação e ampla rede social. Mas, até que ponto a internet está sendo utilizada como principal busca de profissionais? 

A web dinamiza o processo seletivo e facilita a localização de potenciais futuros candidatos. Mas, entrar em comunidades inadequadas e expor-se demais na rede pode ter efeito contrário e levar o futuro emprego por água abaixo. Portanto, é preciso ter muito cuidado. “Quem contrataria alguém que está na comunidade do orkut Eu odeio meu chefe, por exemplo?”, questionou Leyla Galetto, diretora executiva da Stanton Chase International, divisão de executive search do Grupo Foco. 

Para Leila, a rede virtual costuma ser uma boa maneira de checar as informações do candidato, mas dificilmente serve para contratar. “Redes de relacionamento, como orkut e LinkedIn, não nos dão referências seguras”. Por ser um trabalho realizado de forma mais focada, o ideal é utilizar redes de networking de grupos de pessoas conhecidas. “Elas costumam ser mais confiáveis e podemos continuar fazendo nosso trabalho de forma sigilosa”. 

Exposição excessiva é um grande empecilho para quem busca emprego. Segundo Marco Antonio Garcez, sócio-diretor da Garcez Recursos Humanos, a web é uma “vitrine virtual” acessível a qualquer pessoa, e por isso é essencial o bom senso. “Afinal, o que um profissional tem de mais valioso é sua imagem de competência no mercado”. 

Oferecer empregos via comunidades virtuais é uma tendência? “Depende do grupo que está sendo atingido. Nem sempre vamos conseguir tudo na rede”, disse Leyla. “Um presidente de uma empresa não coloca seu currículo à disposição assim”. Até mesmo porque a ética e o sigilo do trabalho off-line deve ser mantida também no trabalho on line. 

Para Marco, apesar de crescente a seleção via redes sociais não parece ser o futuro do RH. “Ela será sim um importante instrumento, mas não deve substituir as entrevistas e contatos com o potencial empregador”. E Leyla complementou, “no nível executivo hoje não funciona assim, mas no futuro tudo pode acontecer”.